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#BarbaridadesNaPorta | Manifesto

Sempre me incomodei com a forma que a sociedade impõe as mulheres,  para estarem bem arrumadas e impecáveis na visão mais padronizada possível.
Gostamos de estar bem com nós mesmas. Seja com o cabelo desarrumado, esmalte lascado, roupas simples ou despojadas que amamos, com ou sem maquiagem e até mesmo peladas, com nossas gordurinhas de mais ou de menos.
Devemos acordar todos os dias e saber que somos lindas e incríveis do nosso jeito e que queremos ser assim, exatamente como somos. (E se quisermos mudar? Ok, que isso seja um problema só nosso.)



Pensando nisso, quero passar um recado especial para cada mulher que for ao banheiro trocar de absorvente, retocar o batom ou ir a um provador de uma loja provar uma roupa.
Simplesmente quero que essas mulheres relembrem algo que deve ser lembrado todos os dias. 

Aproveitando o embalo do outubro rosa onde surge uma imensa conscientização, que tem como objetivo principal, alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção do câncer de mama.
O Barbaridades está com um novo projeto chamado #BarbaridadesNaPorta.

Abaixo segue manifesto que criei para espalharmos por esse mundão todo:



1) Cole este manifesto atrás de uma porta (vale também na sua própria casa viu?) seja no banheiro, quarto, provador de uma loja ou qualquer outro lugar. 
Imagina que delicia encontrar uma mensagem inspiradora atrás de uma porta qualquer?

2) Proponho também, desafiar uma outra pessoa, para que assim a mensagem se espalhe cada vez mais. 

A ação começará a partir do dia 13 de Outubro (terça-feira, depois do feriadão).
Compartilhe nas redes sociais com a tag #BarbaridadesNaPorta ;)  

Conto muito com a ajuda de vocês <3
Beijo grande, 

Baárbara Martinez | @baamartinez

Tirando a roupa

As lingeries que foram sinônimo de mudança na década de 60, onde feministas queimaram sutiãs em praça pública para expressar a necessidade de mudança do papel da mulher na sociedade, iniciando o período em que prevalecia a imagem da mulher masculinizada, necessária para a entrada no mercado de trabalho. As roupas que a tornavam invisível sexualmente, acentuando, em vez disso, a sua competência profissional. Com isso a visão da mulher passou a ser ligada ao profissional e pessoal, ter o corpo bonito, mas não poderia deixar de lado a sensualidade e o erotismo.
E é esta a ideia que prevalece no século XXI, as mulheres progrediram socialmente e profissionalmente, tornaram-se cada vez mais independentes e respeitadas, e de símbolo da opressão feminina, o sutiã tornou-se item indispensável para a sedução e beleza.


O que antes era visto como um tabu passou a ser um item indispensável quando o assunto são peças do guarda roupa. As lingeries, tops ou simplesmente sutiãs passaram a ficar mais visíveis com a ajuda de blusas mais cavadas, menos golas, mais decotes e muita cor! 
O que antes era para ser discreto passou a ser peça chave para complementar ou até mesmo ''mandar'' no look.

De um tempinho pra cá começamos a não reparar na diferença entre top e sutiã, a não esconder mais as alças dos sutiãs, a cavar mais as blusas para aparecer a lateral da lingerie e agora quanto mais recortes, alças e rendas melhor <3









Provei que não pareço apenas uma estudante de arquitetura no Pinterest e criei um painel só de lingeries hehe ;) {Além desse tem outros painéis incríveis com minhas inspirações}


Com amor, 


Ser Solteira


Recentemente, saí com uma turma de amigos recém solteiros. O pior tipo, diga-se de passagem, porque de solteirice eu entendo bem. Estou há um ano lutando contra o preconceito do status e dos olhares de pena. Os recém solteiros não passam por isso. De jeito nenhum. Eles podem tudo. Eles podem trocar noites por dias, musas por criaturas, beijos por telefones, não têm hora para voltar e fazem amigos em qualquer esquina.

Quanto a mim, sou bombardeada diariamente pela curiosidade alheia de por que cargas d’água ainda não expus um macho para chamar de meu. Sinceramente, sinto inveja desse aval da sociedade que diz “Vai lá, campeão! Você merece essa folga!”. Só tenho direito as frases de provérbio chinês de biscoitos da sorte e ao horóscopo impresso em jornal velho. Mulher solteira por um ano ou mais não é escolha, é problema.

Mas o problema mesmo foi quando me peguei acreditando nisso. Me cobrei por noites em claro a resposta de não ter a facilidade de um namoro engatilhado. Me questionei por horas a fio o que havia de errado comigo. Então, me forcei a me envolver, a gostar. Me forcei a enxergar os pontos positivos e jamais listar os defeitos. Às vezes, me senti um tanto Amélia e um tanto adolescente. Eu sentia que precisava ter alguém e, não, que queria ter alguém, e mesmo assim, insisti fervorosamente. Fui catequizada pela premissa de que eu havia ficado pra titia.

A verdade é que chega uma hora que cansa. Essa vida adulta que por vezes me parece precipitada, também sufoca. E assusta. Honestamente, acho que nutri o desejo de estar com alguém mais pelo medo de ficar sozinha do que pela vontade de uma vida a dois. Porque, sinceramente, ficar solteira é ousadia, mas SER solteira é um ato de coragem. É quando você não se sente incompetente por terminar o ano sem o beijo da virada, nem se sente excluída por não participar de reuniões em que estejam só casais.
É também não se sentir constrangida em dizer há quanto tempo está nessa fase e assumir o controle da reviravolta por saber que isso acaba quando você quiser. Na realidade, ser solteira é ser livre, ser leve, no verdadeiro sentido da palavra.

Relacionamento sério mesmo, eu não quero com ninguém, nem mesmo com o homem da minha vida. Aliás, principalmente não com o homem da minha vida. Eu quero que essa leveza se perpetue, essa paz de espírito proveniente da segurança de saber quem eu sou, mesmo estando sozinha, se fortaleça.

Quero um relacionamento patético em que se torne impossível terminar uma discussão sem transforma-la em piada. Quero um relacionamento estranho em que a gente crie um código para falar em público. Quero um relacionamento infantil em que vamos trocar a cozinha gourmet por um cento de salgadinhos com coca. Eu quero um relacionamento que seja tempestade em dias calmos, e que me faça sentir algo, o que quer que seja. Quero um relacionamento financeiro munido da estabilidade de planos e, não, de dinheiro. Deixo a seriedade pras horas em que é vital; ao meu lado só quero aqueles que vão rir quando eu tropeçar ou inventar apelidos pro meu terrível corte de cabelo.
Que seja tudo isso, mas que, por favor, não seja sério.

E, honestamente, prefiro esperar pelo tempo que for por alguém que me faça feliz dessa forma do que me sujeitar a essa mania visceral de alimentar o perfil de mulher “namorável”.
Não me culpo mais por gostar de algumas noites na balada, nem mesmo pelo o que eu bebo ou o que eu visto. Gosto de não ter que dar satisfações sobre a minha vida, de aceitar convites inesperados, de tornar estranhos conhecidos após um jantar. Me livrei do peso na consciência por ver o sol nascer enquanto outros caminham. Eu gosto de ser dona dos meus dias; de fazer da segunda um sábado, da quarta uma sexta. Gosto de não me preocupar com meu celular descarregado dentro da bolsa porque tudo que eu preciso é o que tenho a minha frente.
E de dançar até o chão tanto quanto assistir um filme de comédia romântica embaixo do edredom.

Ciúmes só tenho daqueles que descobriram isso há mais tempo do que eu, e desconfiança só por quem acredita que o caminho que têm como o melhor pra si, também sirva para os outros.
Quanto a paixão, nunca a senti tão forte em toda minha vida. Aprendi a cuidar de cada uma das pessoas que entraram despretensiosamente, de cada lembrança cultivada entre porres e ressacas. Aprendi a colecionar amigos e, não, mágoas de relacionamentos anteriores. 
Desejo, inclusive, que todos aprendam isso mesmo após o mais sofrido término.

Sabe, são pessoas e pessoas. Pode ser que isso nunca seja o ideal pra você. Pode ser que você tenha se condicionado a necessidade de ter alguém sempre para se sentir bem consigo mesmo. E se isso te faz feliz, te digo com todas as letras: vá em frente! A questão é justamente essa: seja feliz, não seja um status nas redes sociais, nem um sorriso amarelo em foto. No fundo, você sabe que não precisa disso, assim como eu sei. Mas a gente faz uma escolha, entende? No final, é só você e seu medo contra o mundo. Mas se você não souber quem é, não vai importar quem esteja ao seu lado.

Por Samantha Silvany